quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Divagando inutilmente.

Esses dias em meio a tanta chuva me fizeram parar para pensar nos tão queridos e odiados guarda-chuva! Eu sou uma pessoa que abomina esse acessório. Sei lá, acho inútil porque numa chuvona ele mal protege sua cabeça, e se ventar, fodeu! O guarda-chuva vira ao contrario, aí imagina! Ele lá, te puxando com o vento, e você tentando fecha-lo, e nessa luta pra segurar suas coisas, fechar o guarda-chuva e não sair voando, você já parece um cachorro molhado, fedendo a pêlo úmido.
Ontem mesmo foi um perreio. Saí do trabalho e começou a chover (maldito Murphy e suas leis), eu de mochila nas costas e um capacete na mão. Pendurei o capacete na mochila e começou a briga pra pegar o guarda-chuva. Consegui! Mas a chuva vinha de lado, e não resolveu NADA abrir o bendito.
Alguém já encontrou um guarda-chuva na rua? Eu não. Já perdi um monte, mas nunca achei nenhum perdido por ai, a não ser quebrado. Então, falando a respeito com uma amiga, me indaguei: para onde eles vão? Será que eles vivem num universo paralelo? Mas a parada é estranha, porque os únicos que eu vejo na rua estão quebrados. Seriam esses banidos da terra dos guarda-chuva, como alguns animais fazem em seus bandos quando há algum muito velho ou doente? Bom, de qualquer modo, nem me interessa, porque eu odeio eles.
Hoje o dia está lindo, e eu espero não precisar de um, mesmo porque o meu, pra variar, ficou em casa... Bleh.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

NHAC!

- Tá puta?
- MUITO, NEGA!
- pq?
- OUVIR MERDA E NAO TER CHANCE DE RESPOSTA ME IRRITA MUITO!!! EU TO DE TPM!!! Quase que quebro uma porta no murro... Me mandaram email de uma imobiliaria pedindo pra retirar um cheque. Okay, mandei a motoqueira la, e cadê o cheque? Liguei la pra saber o que tinha acontecido, uma filha da puta começou a bater boca comigo... "quem sou eu pra cobrar ela?" Aí quis falar com o meu chefe, que nao está... Enfim... Ela desligou o tel na minha cara, e jaja meu chefe me liga... E ele vai ouvir!
- Ixiii...
- Ahhhhh! Vai toma no cu! Me fala que o cheque ta pronto depois paga de loca?! Se elas nao se comunicam na merda da empresa o problema nao é meu! Aaaaaaaaaiiiiii!!! Parei! Ziper na boca.
- Eita!
- Ai nega, cansa... Eles me mandam um monte de coisa errada, eu tenho q correr atras de tudo,
meu chefe enche o rabo deles de dinheiro, eu fico aqui me ferrando e ainda tenho que aguentar desaforo de uma fulaninha?! Ficou fazendo escandalo com a motoqueira, coitada, não tem nada a ver com a história... Arfh, arfh, hj eu mordo!
- Respira comigo! Fuuuuuuuuunc... fóóóóóóó...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... Pronto... Já me fez rir... Ai ai... Nada que um "fuuuuuuuuunc fóóóóóóó" nao resolva...
- Hehehehe... Segredo milenar!

domingo, 15 de novembro de 2009

Breu

Em poucos segundos o mundo se transformou, sumiu ao redor. O coração quase salta pela boca. Os olho se fecham. No escuro, duas bocam se unem em um beijo que selou um contrato sem volta.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sem título.

Garoto sempre amigo, parceiro de choros e risos. Contava suas aventuras e cagadas como que a um velho amigo. Trocavam conselhos, madrugadas conversando, sempre querendo que o outro estivesse bem. De repente uma conversa muda todo o rumo, ele se abre e ela se fecha. Protege o coração numa armadura com medo de ficar com mais uma ferida entre tantas já existentes. Em pouco tempo ele foi conquistando um espaço há muito vazio. Alguns tentaram, mas vão foi o esforço. A menina, sempre a "amiga-muleque", nunca percebeu (ou não queria perceber) que algo estava mudando. O tratamento não era o mesmo. Os beijos na bochecha antes descontraídos, mudaram para a testa, em sinal de respeito. Mas ainda assim ela não queria acreditar. Ele conhecia suas fraquezas como a palma de sua mão, e foi abrindo caminho até que um beijo quente fez a armadura virar pó. A armadura e todos os seus temores e caraminholas. Alguns dias distantes fizeram o coração se fortalecer, livre da couraça e podendo respirar conseguiu ver claramente que estava batendo mais forte. Mesmo longe, ele estava perto. Alguns dias se passaram, e se encontram novamente. Suas mãos se tocam, e se enlouquecem. Perdidas entre carinho e violencia, esgorregando em seus corpos suados e exalando o delicioso perfume do sexo, as palavras surgem... "estou apaixonado por você...". Um abraço apertado e desmedido responde sem se fazer necessario falar. Ok, você venceu.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Por que será?

Me perguntam porque sou estressada, então vou contar duas situações pelo qual eu passei essa semana que fizeram ter vontade de cortar os pulsos com uma faquinha de bolo pulmann.
Só para clarear as idéias eu trabalho numa corretora de seguros, tá?!
Quarta-feira: um cliente me manda um email pedindo um cálculo de seguro, de QUINZE veículos. Como ele já é cliente eu pensei: ele vai trocar de carro, ou montar uma frota? Respondi o email com esse questionamento, e ele me respondeu que era para uma "breve substituição". Respirei fundo, estufei o peito e gritei para o meu chefe:
-VAAAAIII SEEEE FODEEEEEEEEER!!!
Não fiz o cálculo. No dia seguinte a mulher do bendito me ligou avisando que eles compraram um carro. O ÚLTIMO da lista que ele me pediu. Féla duma rapariga! Eu comecei a espumar de raiva...
Quando acordei da convulsão, já medicada e solta da camisa de força, chegou uma senhora aqui dizendo que estava comprando um carro zero e me pediu para calcular o seguro para ela. Vamolá! Fiz o cálculo, imprimi, entreguei a ela, e conversando sobre o seguro, as vantagens, aquele xaveco todo, a desgranhenta diz:
-Ai, sabe... É que eu comprei o carro e a concessionária me deu um ano de seguro grátis...
OI?!
Bom, depois que me tiraram a mordaça eu voltei ao trabalho. E não me deram a faquinha... Hunff.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

GRRRRRRAAAAAULRRRR

Hoje eu to com raiva! Socando o teclado! Querendo chutar a cabeça de alguém! Pode ser a sua?
Prometo que a dor vai ser rápida.
Por que a merda nunca vem sozinha? Sempre aparece acompanhada de peidos, daqueles que impregnam o ambiente e a cabeça da gente, e sempre tem uma porra de uma casca de milho que arranha o cu quando sai!
To com dor de cabeça e meu chefe fica dando chilique ( ele vai ler isso...). To de TPM e tem uma porra de uma cliente me caroçando. To carente e ele ta longe!!!
No momento devoro uma maçã com a fúria de um leão com uma gazela entre os dentes... Quem será minha gazela?...
E enquanto a maça não acaba, vou contar uma história triste.
Sou estudante de psicologia. Ontem iniciaram meus experimentos científicos no laboratório. Com ratos. Ratos que ficam 36h privados de água, para depois entrarem numa porra duma caixa com uma alavanca. Nós, alunos, temos que ensinar ao pobre animal que ele tem que apertar essa alavanca para que a água seja liberada. UMA GOTA. Uma mísera gota de água. Eu gosto de ratos, gosto MUITO de ratos, tenho dois em casa. Durante a explicação do manuseio da caixa, a professora solta que após o término do semestre, esses ratos serão sacrificados. A-DO-REI! Quase saí da minha baia e fui chutar o pé da cadeira que a professora estava em cima.
Minha cabeça continua doendo... e a minha maçã acabou, devorei minha gazela. Por falar em devorar... Reparei que a minha mãe anda enchendo muito minha marmita ultimamente... Tenho certeza que ela está medindo a grossura do meu dedo enquanto eu durmo.
Vou voltar ao trabalho, porque, além de tudo, não tenho mais horário de almoço.

Bora!

Uma amiga apresenta dois amigos queridos. Sem pretensão alguma. Sem pretensão de que eles continuassem sozinhos, claro. E bora adicionar no msn. Ela meio perdida, com o pé atrás, ele tentando não criar expectativas. Assim se passa uma semana, conversando, rindo, trocando idéias e a falta delas. Eles trocam telefone. Começam as mensagens, e algo desperta. Eles querem se conhecer, mas isso só a amiga em comum sabe. Com medo de assustar ela procura ser natural, mas sem mostrar interesse demais. Ele, idem. E chega a intimação via sms: "bora se conhecer!". Ops! E agora? É agora!
E não teve chuva, frio, ressaca ou cólica que a segurou. Shopping, chá, pão de queijo, bolo, papo sobre psicologia, cinema, chocolate e um beijo. E o cinema sumiu, o shopping sumiu, o ar sumiu. Só ficou um pensamento intermitente: quero mais.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Discussão

Comentários, opiniões, considerações... Saco cheio. Sentada em volta de várias pessoas diferentes, vejo a dificuldade de viver em sociedade. Neste momento minha sociedade é composta de 8 pessoas. Oito pessoas tentando ter voz ativa. E nessa hora eu vejo a altura do ego de cada um. O meu já se fechou no quarto e ta afim de dormir. Me neutralizei para não perder a paciência, deixo para quem gosta de falar e não chega a lugar nenhum. E cá estou, com um nó na garganta querendo mandar tudo pra casa do caralho. Já me abstive de comentar as baboseiras que estou ouvindo, e vou seguir a maré. Como já diria o sábio sr. Jaiminho: "prefiro evitar a fadiga..."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Você

Estou ofegante. Meu corpo está entregue, relaxado e sensível. Cada toque em mim sinto como um choque. Aos poucos, sua força aumenta. E então começo a me contrair e transpirar. Você me domina, e eu já não consigo falar. Minha respiração está mais forte e minha garganta seca. Fecho os olhos e me encolho, não posso segurar mais, é demais! Ai... ahh... aaaaaatchiiiiim! Gripe maldita.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Gabriel

Eu estava sentada ali, alheia ao mundo, quando um anjo pousou próximo a mim. Ao redor dele havia uma luz forte, que me cegou por alguns instantes, não permitindo que eu visse sua silhueta. Com medo me afastei, e ele partiu deixando um rastro que eu não quis enxergar. O tempo passou, e eu resolvi voltar ao lugar onde tinha visto aquela luz, curiosa para saber se foi real, e se foi, talvez perder o medo dela. Algo dizia que eu deveria me reaproximar.
Chegando lá me sentei e esperei, igualmente distraída. E de repente ele veio, igualmente iluminado. E mais uma vez sua luz me cegou, só que dessa vez foi diferente, não me assustei. Vagarosamente fui me aproximando, e meus olhos foram se acostumando. Quando consegui enxergá-lo, senti um furacão passar e abalar cada fibra do meu corpo. Mais próxima ainda, senti seu perfume, e não há outro que eu queira sentir desde então.
Ele me estendeu sua mão, e me convidou para uma dança. Ao abraça-lo, fechei os olhos e me senti misturando a ele e àquela luz que de assustadora se tornou minha essência. Meus pés saíram do chão. E ao abrir os olhos percebi que estava num lugar diferente, de onde não saí até hoje. O paraiso...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Butterfly

As borboletas estão calmas, até você se aproximar.
E então elas se alvoroçam,


.................................vôo,
.............alçam
E



Se debatem entre as flores

....Prá lá
................................................Pra cá


...............Aqui

..............................................................................Acolá

...dentro do meu estômago.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Água benta

Entro no msn e alguém me adicionou. Não sabia quem era, logo pensei "Deve mais algum idiota querendo mostrar o pau na webcam... Ah... Qualquer coisa, eu bloqueio.". Ok! Então aceitei. E então um rapazote começou a conversar comigo.
- Oi!
- Oi...
- Você é a fulana de tal, filha da sicrana?
- É... sou... e você? Está colhendo dados pra me sequestrar?
- Ow, puxa... Não, não... Eu cheguei muito loco em casa ontem e acho que te adicionei... sem querer. Desculpa aê...
- Maxiiiiina!
Bem, passado o susto e sabendo que ele era um conhecido da minha mãe e não um tarado virtual, começamos a conversar. O legal é que em cinco minutos estávamos discutindo sobre sexo e religão como se nos conhecessemos há anos. No dia seguinte emprestei um livro a ele. Em duas semanas, ele me deu um emprego.
Bendita seja a pinga!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Beleza oculta

Eu me visto feito menino, não gosto de chamar a atenção para minhas curvas. Prefiro ser vista como a nerdzinha estranha que fala mais besteira que a galera toda junta. O que está por fora não importa. Se querem se aproximar de mim que seja pelo interesse por quem eu sou, não por que sou bonitinha ou merda nenhuma do tipo. Cabelo sempre curto, mais prático. Oculos grandes, não podem pensar que sou paty, nunca. Sou só uma esquisitinha. Sempre de blusas largas, decote jamais! Calça apertada e alta, para disfarçar os efeitos do sedentarismo.
Eu sei quem sou. Forte, alucinada, louca, amorosa... Mas não faço questão de falar isso a ninguém, e ouvir qualquer coisa ao meu respeito me deixa roxa de vergonha. Afinal, não tenho nada de mais, certo? Sou mais uma pessoa perdida nesse mundo perdido.
Garota de lar desagregado e poucos amigos, tento viver do melhor modo possível, falando merda para descontrair, sendo escrachada, sem prejudicar ninguém. Mas ou outros insistem em me ferir e deixar meu coração feito carne moída. Ok, acontece. E punhalada após punhalada tento costurar as feridas, e mesmo sangrando sigo em frente. Pulando obstaculos, abrindo uns pontos que vou remendando como posso...
O problema é que as vezes fico sem linha, e só uma agulha não resolve, e aí vou me furando e piorando um pouco mais as feridas, na tentativa inutil de ficar bem, ou fingir que estou bem. E é nesse momento que meu mundinho louco desaba num buraco negro e se apaga, e eu me escondo mais e mais na fantasia de menina-moleque, que não sabe porra nenhuma da vida e está sempre confusa. Não sei se caso, ou se compro uma bicicleta, saca?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Estafa

Abre a porta. Entra na sala. Abre a janela, liga os computadores. Senta em sua mesa, e o tédio chega. Faz duas ligações, olha três documentos, e... acabou o trabalho. O resto do dia é no msn, ou atendendo as raríssimas ligações que recebe. Pensa nos amigos, na conta vazia, na aula de hoje, nos trabalhos para fazer. Lembra de sua gata, que se alegra feito um cão quando a vê em casa, e que recebe seu carinho de patas abertas. Ai não, não era para lembrar de casa. O mundo paralelo. Aquele não é seu lugar, as pessoas que vivem lá não pertencem à sua realidade. As idéias nunca batem. Ela quer mudar, quer crescer, ser o que ninguém conseguiu, alguém! Mas as palavras dos demais são contrárias. Ela deseja estar no seu mundo. O quarto dos sonhos, só dela, com uma parede estampada de zebra, onde ela possa ter paz. Sem gritos, sem brigas. Sem desejos de "quero que você se foda!". Sem o pessimismo e a falta de vontade de viver da família. Paz... é querer demais?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Scabin não faz efeito!

Tenho tentado fugir dessa cabeça maluca! Quando eu acho que vai ficar tudo bem, lá vem outro capote no travesseiro e horas de choro. Pelas coisas que ouço não sei definir o que se passa, mas sinto um nó dentro dela. Ela diz que precisa ficar sozinha, mas isso só a deixa pior. Essa sensação de isolamento está travando uma pessoa que sempre foi um poço de tagarelices e traquinagens. Hoje as palavras não saem, eça não quer dizer o que sente, acha desnecessário. Ninguém precisa ouvir denooooovo o que ela já disse 2938472985782 vezes, e de que adianta? Ninguém vai resolver mesmo... só ela mesma. Hoje nada tem graça. Por mais besteiras que digam perto dela, nem um sorriso sai. Hoje nem vídeo do Rafinha Bastos tá fazendo efeito.
Vontade de sair de casa? Zero! Sem dinheiro ela se sente um estorvo. Então, fiquemos em casa na companhia dos desenhos do SBT, de um bom livro e seus bichos de pelúcia. É isso! Sem ela pra falar chatices e ser bancada, o mundo fica melhor!

As vezes quero fugir dessa cabeça alucinada, que quer abraçar o mundo e não consegue mudar nem o seu próprio. Mas algo me diz "Não vai... ela precisa de você." E aí eu caminho no seu couro cabeludo, causo coceiras e ela por instantes não pensa no que a incomoda, só em mim! Hehehehe...

Fuga, fuga, fuga... Chega! Vou agitar essa cabeleira e dar uma reviravolta nessa palhaçada! Chega de chorar, chega de palhaçada...

Hei, hospedeira... Psssss... Aqui em cima!!! Olha pra você, toma jeito! Sem lamúrias. Mas... nada!
Hora de mudar!

domingo, 29 de março de 2009

Minha mente

Confusão. Tenho vontade de abraçar o mundo e me vejo impotente diante da verdade de não poder fazê-lo. Nem meus problemas consigo resolver...
Um turbilhão de sentimentos está me enlouquecendo! Vontades vem e somem repentinamente. Há cinco minutos queria te ver, agora espero nem receber uma mensagem tua. Nem tua, nem de ninguém.
Preciso de colo. Não preciso mais.
Sou auto-suficiente. Sou carente, não me basto.
Quero sumir. Alguém me ache, por favor!
Sim, vamos sair. Não quero mais, boa noite.
Poxa, que massa! Graaaande merda...
Me sinto dúbia. Preciso me encontrar, estou perdida. Perdida num mundo que eu mesma criei e me aprisionei, e agora não consigo me libertar.
Alguém me ache, por favor...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Dança comigo?

Uma mão se estende em sua direção, ela não ve o resto do corpo que se aproxima. Aceita o convite e caminha para o espaço onde outros casais já dançam. Enquanto uma mão segura a sua, a outra envolve sua cintura, leve, sutil. Ela encosta seu rosto no dele, e o perfume que entra por suas narinas invade e provoca todos os seus sentidos. Os pelos se arrepiam. Um toque é dado para que a dança inicie. Seus pés deslizam conforme o comando do rapaz, ele a solta e ela gira, e na volta seus olhos se cruzam. Borboletas, milhares de borboletas se debatem no seu estomago. Ele a segura com mais força, sentindo cada fibra daquela cintura esguia, e ela arriscaria dizer que sentia as batidas do coração dele em seu peito. Os pés não tocam mais o chão, ela se entrega totalmente à música e àquelas mãos fortes que a dominam e comandam cada movimento do seu corpo. A cada passo a afinidade aumenta, eles se tornam um só. Os movimentos se tornam mais fortes, seus corpos parecem querer entrar um no outro. A pele de quem a conduz é macia como uma pétala, e a excitação cresce. Para ela a dança é como o sexo. Jogada no braços dele, todos os seus músculos se contraem, o orgasmo é iminente. O último acorde...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Metade

A menina insiste em brincar de ciranda e pedir arrego à mãe quando se sente ameaçada. A mulher quer erguer a cabeça e lutar sozinha, deixar as bonecas de lado e criar juízo.A menina ve o mundo como uma grande bricadeira, não leva nada a sério, problemas a fazem rir, são pequenos demais para o vasto mundo de descobertas dela. A mulher chora com a falta de dinheiro, com a crise que prejudica seu emprego, quase arranca os cabelos com as brigas em família.A menina ve em todos ao seu redor um coração, onde ela pode se aconchegar sempre que preciso. A mulher se afasta dos humanos, eles são podres, falsos.A menina senta no chão, de pernas abertas, e debruçada sobre uma folha de papel em branco, com carinha de quem está bolando um plano para dominar o mundo começa a materializar em rabiscos e mil cores o seu mundo de casinhas verdes e árvores cheias de maçãs robustas. A mulher se debruça sobre relatórios, esfrega os olhos exaustos que há tempos não ve o que se passa a sua volta, sente um nó no peito, ve seu mundo reduzido a trabalho e noites mal dormidas. Cores já não fazem parte dele. Sua casa é escura, sem alegria. Sua arvore é um bonsai morto do canto da sala.A mulher não vê mais a menina. A menina, escondida, quer despertar novamente a mulher para o vasto universo infantil, onde sua única preocupação é com qual boneca ela vai brincar primeiro, ou se o cãozinho em seu desenho será roxo ou azul. A mulher entra em seu sótão e procura a caixa onde a menina está, entre bonecas empoiradas e lápis quebrados e sem ponta. A menina surge e a convida para brincar. Uma lágrima cai... "Onde você esteve esse tempo todo?"

segunda-feira, 9 de março de 2009

Plena segunda-feira...

Ela sai do trabalho correndo e vai almoçar na casa da Ju, amiga de infância. Sentam-se para comer e começam a brincar, e falando sempre mil palavrões, que o pai dela "ADORA" ouvir. E do além, surge o próprio...
- Então, como estávamos falando do refrigerante...
-Filha, ainda de pijama, puxa vida!
-Sim, pai, ainda de pijama.
-Mas que vergonha,Ju! Eu já estou trabalhando desde cedo, tua irmã já está indo trabalhar e você ainda não tirou o pijama... Puxa vida!
-É, puxa vida, viu...
-Filha, comeu verdura?
-Não gosto, pai...
-Puxa vida, filha! Tem que comer, né.
A essa altura o riso já é incontrolável...
-E trabalhar que é bom, hein, dona Ju?
-De novo? Eu to procurando, gente!
-Ai meninas, o negócio tá feio... O que dá dinheiro hoje é abrir uma casa de diversão para homens.
-Um puteiro, seu Antonio?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O DIA!

Está calor, muito calor, e mesmo com a janela escancarada e um ventilador na cara, nada refresca. Ela não se concentra no trabalho. O corpo mole. Almoçar com um amigo, ótimo! Ela vai se distrair, pelo menos. Ele chega atrasado... e a chefe já está puta porque quer sair também. Bom, pelo menos ela vai comer aquela batata recheada com o qual sonha há meses. 20 minutos de trânsito até o centro da cidade, já foi quase o horário de almoço. Chega ao local, e cade a barraca? CADÊ A BARRACAAAAAAA??? Respira fuuuundo hospedeira, vai dar tudo certo. E o amigo propõe uma pizza, com a maior calma da face da Terra, e lá vão eles. Chegam na padoca, e vai pedir a pizza:
- Tem pizza de batata recheada? Não? Então não quero...
- Quer coxinha, linda?
- É de batata recheada? Não, valeu...
Pra não desmaiar ela engole duas gordas fatias de pizza e vamo corre pro escritório, óbvio que ela já está atrasada. Chegando na porta, cadê a chave? "CARALHO, ficou dentro da sala! Bom, se o dr. estiver na sala do lado, ótimo! Eu pulo a janela, atravesso o para-peito, entro na minha sala e abro a porta... PORRA! Tô de vestido... ah, foda-se..."
- Doutor, com licensa. Posso pular sua janela pra entrar na minha sala? Esqueci minha chave lá dentro.
- Deixa que eu pulo pra você.
- Poxa, brigadão!
- Claro que eu adoraria te ver pulando a janela com esse vestido larguinho, mas vou ser educado.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Gotas

Ela ouve a chuva e corre para a janela. Limpa o vidro embaçado com a manga da blusa. Sente pelas frestas uma brisa que traz o cheiro que ela mais gosta, o de mato molhado. Sem pensar em frio, ela tira seu moletom e corre para a rua. Uma a uma as gotas atingem sua pele que se arrepia, e se juntam e escorrem do rosto para o pescoço e para o colo a mostra... E ali ela permanece sozinha, calada, abraçando a si mesma, sentindo em cada gota o gosto de um dia, aquele dia... O parque... um beijo... um mendigo... "Ei, para com isso! To com inveja..."

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Galpão

Xeeeente, nunca tomei tanto banho na minha vida! O negócio tá feio... É calor demais!!! A dona da belasca que me abriga anda sofrendo com esse verãozão, e não só com ele...
A semana anda esquisita. De um lado, um aperto, sentimento de fracasso. Do outro, uma euforia que a faz querer gritar aos quatro cantos do mundo. De repente muitas coisas aconteceram. O reencontro fez voltar a tona sentimentos que ela pensava estar apagados, mas estavam apenas escondidos, deixados de lado por uma tolice, brincadeira de criança. De repente tudo é perfeito, e ainda parece mentira. Mentira porque o sentimento não se define; não é amor, não é paixão, não é um simples gostar. É um querer que não deixa se soltar num abraço, que quer parar o tempo num beijo, e fazê-lo voar com a distância.
Cada momento é revivido aos fechar os olhos... Ela, nua, debruçada na janela do galpão olhando a chuva que caía sutilmente nos telhados, enquanto ele, da cama, admirava suas curvas e como as sombras da noite as acentuavam, formando deliciosos contornos. Aquele único cômodo era tão pequeno em si, mas tão grande para ela! Um cantinho que foi cúmplice de um sentimento indefinível, de momentos agradáveis, divertidos, loucos, sexuais, gulosos... e perfeitos... cada um deles... Celular, garça, mendigo, caqui, chuva, acupuntura, pizza, pufes. Palavras que ecoam no coração, com um nó na garganta prestes a explodir num pedido rouco, quase inaudível... "não me deixa nunca!"...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Reencontro

Primeiro choque. Ela esfrega os olhos, é mentira. Não, não pode ser. Ele a abraça... aaah... é verdade!!! Segundo choque. Os corpos se encontram. Ela o sente, e o mundo some ao redor, a banca de jornal, as pessoas, as vozes. O único som que ela ouve é o que está nos fones de ouvido pendurados no pescoço dele. Um turbilhão de lembranças volta ao seu coração. O calor, o toque, o carinho, o cheiro dele eram os mesmos, como se ele tivesse ficado numa redoma todo o tempo em que estiveram distantes. Os braços não se soltam, não querem se soltar nunca mais.
- Deixa eu te ver!
- Não, não me solta, me abraça mais.
- Esses olhos...
- Entra na minha mochila, vai embora comigo...
Seus rostos se aproximam, ela sente o cheiro da respiração dele, e as pernas amolecem. Aquele era o melhor perfume que ela já havia sentido, guardaria num potinho se pudesse. As palavras trocadas? Ela não se lembra. Estava em outra dimensão, onde somente conseguia olhar nos olhos dele e sentir o seu perfume. Ela vai embora com uma trufa na mão, sem coragem de abrir. “Como eu fui burra, como pude? Ficar longe dele, que tolice absurda! Aquela boca, aiiiiii!!! Não, não vai, me abraça mais...”
Dormir? Não dá, não essa noite.