segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sustento

As vezes nosso mundo desaba, e com ele desabamos. Quando tudo parece caminhar na mais perfeita ordem a bomba atômica explode. E parece que tudo de bom que antes aconteceu nunca existiu. Trevas. A cabeça da voltas e voltas tentando encontrar uma solução para um problema que não é seu. Explicação nenhuma é plausível. Impotência. Tudo que você já fez de bom é nulo. O mal que te fazem é indireto, mas dói como se fosse proposital. As pessoas fazem coisas erradas como se ninguém mais no mundo existisse, como se ninguém mais fosse afetado.
Toda ação tem uma reação. O universo te devolve tudo que você deseja e faz a si e ao próximo. Bondade traz bondade, maldade traz maldade, e por aí vai... A vida é feita de escolhas, então que cada um colha o que deseja plantar. E não é você quem vai decidir pelo outro. Livre arbítrio, saca? O importante é se manter em pé, de cabeça erguida e braços abertos, pernas abertas na linha dos ombros e joelhos semiflexionados, para que quando essas pessoas tropecem na sua frente, você tenha força e equilíbrio para não as deixar cair.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sapatilhas

Meus pés saem do chão. Flutuo a cada verso da musica envolvente que sai das caixas de som jogadas no canto do meu quarto. Fora do chão e fora de mim, movo meus pés de acordo com a melodia. Minhas sapatilhas, velhas companheiras, levitam comigo em giros e saltos tão altos que penso poder alcançar o céu. Elas já estão tão surradas e quase sem cor, mas tenho por elas o mesmo amor de quando as comprei e as calcei pela primeira vez. Já dormi com elas nos pés pensando poder sonhar com uma nova coreografia. Foram quatro anos maravilhosos e duros de uso. Aulas de técnica, pés esticados quase tocando a testa, apresentações ao ar livre em quadras de chão áspero, domingos exaustivos de treinos e ensaios... que um dia chegaram ao fim, totalmente contra minha vontade. Cresci rápido e a necessidade um emprego me tiraram o que mais amava. Hoje restam as sapatilhas gastas na gaveta e as lembranças e os rodopios no quarto, com a esperança de um dia voltar a rodopiar num palco por ai...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um comentario do post anterior que mexeu muito comigo...

As vezes sentimos saudades, mas porque sentimos saudades?Quando sentimos aquele aperto no coração, tristeza, falta,uma enorme angústia. Sentimos isso, por momentos marcantes, situações únicas, pessoas especiais.Já sentiu saudade de uma coisa ruim? não né? :)A saudade é dolorida, mas como é bom ser dolorido, lembrar daquelemomento especial ou daquela pessoa especial.A saudade nos machuca, então você gostaria de não ter passado por aquilo ouconhecido aquela pessoa para não sofrer de tanta angústia?Trocaria apagar todos os momentos especiais para não se sentir dolorida?A saudade serve para nos lembrar o quando as pessoas são importantes e oquanto vale a pena lutar por elas.A saudade em um relacionamento não significa sofrimento, mas em sua essênciasignifica fortalecimento no reencontro.Que bom que vocês sente saudade, provavelmente sua vida deve valer a pena e você deve amar muito alguém... Esse cara tem sorte.

quarta-feira, 10 de março de 2010

...

Escorregou pelas fibras de um coração rasgado. Vazou pelos dedos de uma mão aberta. Caiu no aconchego da solidão. Solidão essa que ela não sabe se optou por ter ou se a obrigaram a conhecer. As decepções a diminuiram tanto que ela some em qualquer mínima brecha que abrem ao seu redor. Vidas passam por ela, que por sua vez tenta continuar imperceptível. Gosta de ser figurante no filme de sua própria vida.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hoje...

Não quero pensar que tenho vida. Nem trabalho. Nem casa.Quero chorar com um sorriso rasgando meu rosto, me perder num colo aconchegante, sentir a semi-morte de um orgasmo.Preciso ser calada! Com um beijo ardente e mãos fortes envolvendo minha cintura...Hoje quero me esconder. Dentro de você.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fim.

Um velório. Caixão lacrado. Tristeza em toda a parte, lágrimas inundando almas. A perda de um amigo, que também era filho, irmão e namorado. Muitas pessoas presentes, ele era querido. Ao me aproximar, nostalgia... O via todas as manhãs, sempre sorridente e falando bobagens. Mau humor não existia naquela vida, que apesar de muito simples era feliz! Sempre me fazia rir com suas pataquadas, não importava como eu estivesse. Hoje eu olhei no relógio e notei sua demora, ele não apareceu. Minutos depois recebo a notícia. Um baque, o fim. De cima da moto para debaixo de um carro. Imprudência de um motorista que não parou para socorre-lo. No velório deixamos uma coroa e uma faixa: "Sua passagem pela vida foi breve, mas sua lembrança será eterna." E será, sem duvida.