segunda-feira, 11 de julho de 2011

Olha eu aqui de novo...

Era uma vez uma mulher que nunca teve porra nenhuma na vida. Nasceu numa família pobre, começou a trabalhar aos 11 anos, engravidou aos 20 sem querer, casou obrigada com um homem que... ah, deixa prá lá, não merece ser chamado de homem. Bom, essa mulher se separou após 4 anos de casamento, e voltou pra casa da mãe com sua filha ainda pequena, e lá viveu por quase 21 anos. Conseguiu um bom emprego e bom salário, e ao invés de construir uma boa vida o que ela fez? Foi gastando... gastando... se endividando com tudo de inútil que se possa imaginar, pura compulsão. Fez dívidas para cobrir outras dívidas. Não comprou um carro. Não saiu da casa da mãe. Não almejou nada para seu futuro. Só se preocupou com... com... é... nada.
Sua filha sofria por ver a mãe várias vezes ao telefone, implorando a alguém que lhe emprestasse dinheiro, pois não tinha mais de onde tirar. A menina, ainda muito ingênua, ficava triste mas não entendia bem por que, não sabia muita coisa do mundo.
O tempo foi passando, essa menininha cresceu, e aos 14 anos ingressou na vida assalariada. E de lá pra cá não parou. Passou por muitos empregos, conheceu muita gente, adquiriu todo tipo de experiência. Fez besteira com dinheiro, mas foi se apertando aqui e ali e aos poucos se restabeleceu. Uma adolescente e um talão de cheques são uma péssima combinação.
Voltemos a mulher. Depois de quase 20 anos trabalhando em uma grande empresa, sempre no mesmo setor, foi demitida. Essa demissão lhe rendeu um bom dinheiro, que poderia mudar o rumo das coisas, não fosse a falta de juízo. Após uma briga feia com a mãe essa mulher saiu finalmente debaixo das asas da genitora, e alugou uma casa para morar com suas duas filhas. Uma casa simples, mas comparada com a antiga casa de sua mãe, era um palácio. Isso era o que pensava sua filha mais velha, ela não. Ela achava a casa um lixo, com muitas coisas para arrumar e reformar, e não queria ficar ali dei jeito nenhum. Dizia que terminando o contrato do aluguel, iria procurar um lugar melhor. Mas o que essa filha não contava é que o juízo de sua mãe estava cada vez menor, e esse dinheiro que mudaria a vida delas estava vazando por seus dedos, como água de torneira.
Após uma discussão com a mãe, a filha descobriu que mais da metade daquele dinheiro já tinha ido embora, sabe Deus com o que. Dentro de casa não foi. E aí começaram a se somar outras coisas, como o sentimento de solidão dentro de casa, de querer crescer e ver a mãe pensando em balada, e pegar menininhos, e comprar carro... sim, comprar um carro. "Vamos viver num trailer e ficar por aí, puxadas pelo belíssimo carro, que é muito mais importante e legal que ter uma casa. É muito mais "da hora" contar pras amiguinhas que comprou um carro pra sair pra todo canto, do que contar que finalmente tem um lugar pra chamar de "seu".
A irmã dessa moça, 8 anos mais nova que ela ia na onda da mãe. É mimada, não ajuda em casa, e só quer saber de luxo. Come mortadela e arrota peru, sabe?
Essas coisas foram se somando em sua cabeça, a falta de objetivo da mãe, e vê-la parecendo uma adolescente, inconsequente e aventureira, e ela acabou bombardeando seu namorado, que sempre paciente, a confortou e ajudou. Isso a fez sentir muito mal, porque ele não tem culpa de nada.
O desfecho dessa história só teremos daqui 6 meses, quando findar o contrato da casa e dono a colocar a venda. Sem dinheiro e estrutura para compra-la, vamos ver o que vai ser.
Por enquanto a jovem fica por aqui. Lutando e buscando seu crescimento todos os dias. E por mais que doa, ela se vê subindo na vida, amadurecendo, construindo sua família. E sua mãe... que Deus proteja, e de muito discernimento. Por que o futuro dela, não consegue imaginar.

Essa é minha estória pra vocês hoje. Um tanto quanto comum em nossa sociedade, mas que mexe com a cabeça e faz refletir.

Já é tarde e vou tentar dormir. Obrigada.